Com essa nova expansão, capacidade instalada da usina chegará a 3.750 MW. ESBR espera regras para decidir destino da energia.
A Energia Sustentável do Brasil espera para a próxima semana a publicação de uma minuta de portaria pelo Ministério de Minas e Energia, para consulta pública, que muda critérios de estabelecimento da garantia físca dos empreendimentos de geração de energia fixados na portaria 303/2004. Esse passo é importante para a empresa aumentar a capacidade da hidrelétrica de Jirau, atualmente, em 3.450 MW para 3.750 MW, com a instalação de quatro novas turbinas. Essa será a segunda expansão, já que em 2008, a usina foi licitada com 3.300 MW de potência.
Com isso, a hidrelétrica passa também das originais 44 turbinas bulbo para 50, sendo 28 na Casa de Força I e 22 na Casa de Força II. Mas, segundo Victor Paranhos, a ESBR precisa de uma definição rápida do governo sobre o assunto porque a usina já está em construção e também porque é preciso encomendar as novas unidades geradoras com o fabricante, a chinesa DongFang. A expansão ocorrerá na Casa de Força II, que passará de 16 para 22 turbinas.
Além do MME, a ampliação da usina também precisa passar pela Agência Nacional de Energia Elétrica. “Precisamos de uma definição rápida deles”, disse o executivo. A perspectiva de Paranhos é que as quatro novas unidades agreguem R$ 700 milhões, ao orçamento de cerca de R$ 11 bilhões da usina de Jirau. Essas turbinas, ainda segundo ele, devem operar de três a quatro meses por ano.
Segundo Paranhos, o ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, já demonstrou apoio em reunião com a empresa para a expansão da usina. “Todos estão a favor da ampliação da usina”, salientou, acrescentando que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social já sinalizou positivamente para um possível novo financiamento a usina.
Depende do pronunciamento de MME e Aneel o destino da energia gerada pelas novas turbinas. Paranhos lembrou que o insumo pode ser comercializado tanto em leilões A-3 e A-5, como para o mercado livre. “Vai depender das regras a serem estabelecidas”, ressaltou, lembrando que o caso de Jirau é inédito no setor elétrico, em relação a um aumento da capacidade instalada.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Jirau terá primeiro leilão de energia para ACL em setembro.
Objetivo é testar mercado para aceitação da oferta da ESBR. Expectativa é vender energia antes da operacionalização da usina.
A hidrelétrica de Jirau (RO-3.450 MW) terá o primeiro leilão de energia para o mercado livre realizado em setembro deste ano, segundo Victor Paranhos, presidente da Energia Sustentável do Brasil. Esse será o primeiro movimento concreto de disponibilização dos 30% da garantia física da usina reservados para o mercado livre no leilão da usina em 2008. O executivo disse que será colocado a venda um pequeno lote de energia para testar o mercado.
“Queremos ver a aceitação da energia de Jirau no mercado”, afirmou Paranhos. Ele acredita que o bloco de energia do ACL será completamente contratado antes da entrada em operação da usina em 2012. Para isso, ele aposta no aquecimento da demanda de energia, principalmente, da indústria. A sua expectativa é de aumento do consumo de energia nacional de 8% este ano e de 4,5% a 5% em 2011.
Paranhos confirmou que a ESBR tem sido procurada por consumidores para uma negociação direta da energia. Ele atribuiu essa movimentação a perspectiva de energia mais cara nos próximos anos devido à retirada de 1 mil MW de térmicas a óleo das previsões de entrada para 2012 e a redução do nível de reservação atual do sistema para 1,5 ano, contra 5 anos da média histórica.
“A saída das térmicas causa perda de lastro para o sistema. Não é que vai faltar energia, mas não se terá a garantia dos contratos. Quando se tira 1 mil MW de térmica, na verdade se está tirando 2 mil MW, já que o agente térmico terá que cobrir os contratos vendidos em leilão”, analisou o executivo.
Ele explicou ainda que a energia não foi vendida antes em decorrência da crise financeira mundial, que derrubou a produção indústria no país, e, em consequência o consumo de energia. Além disso, o momento atual é mais favorável a comercialização da energia de Jirau porque, segundo ele, a tarifa das distribuidoras ficará mais cara com a entrada dos contratos com as térmicas a óleo.
(Alexandre Canazio
*O repórter viajou a convite da Energia Sustentável do Brasil
|